Papo na Mesa

Por que as Pessoas Não Fazem o que Deveriam Fazer: Explorando o Limite entre Saber e Querer.

14 de agosto de 2024

Em muitos cenários corporativos e de liderança, frequentemente ouvimos que as pessoas não fazem algo por apenas dois motivos: ou porque elas não sabem como fazer, ou porque simplesmente não querem. Embora essa seja uma maneira útil de diagnosticar rapidamente uma situação, essa explicação, por mais prática que seja, merece uma análise mais aprofundada.

A Simplicidade do Conceito

Primeiro, vamos entender o poder dessa simplificação. Imagine que você é um líder de equipe enfrentando um problema recorrente: um colaborador constantemente falha em entregar um relatório semanal de qualidade. A primeira pergunta que você deve fazer a si mesmo é: “Essa pessoa sabe como fazer o relatório?” Se a resposta for não, a solução é clara: forneça o treinamento ou os recursos necessários.

Agora, se a resposta for sim, a próxima pergunta é: “Por que, então, ele não está fazendo?” É aqui que entra a segunda parte do conceito – a vontade ou motivação. Talvez o colaborador esteja desmotivado, não veja valor na tarefa, ou esteja lidando com questões pessoais que afetam seu desempenho.

Exemplos Práticos

Vamos trazer isso para um exemplo prático. Imagine um time de vendas que não está alcançando as metas. Após uma análise, você descobre que os vendedores conhecem bem o produto (eles sabem), mas não estão engajados em realizar as visitas a potenciais clientes (não querem). Nesse caso, a falta de vontade pode ser resultado de uma liderança que não inspira, um ambiente de trabalho pouco motivador, ou até uma estrutura de comissões que não incentiva o comportamento desejado.

Outro exemplo pode ser observado na área de tecnologia. Um desenvolvedor é designado para aprender uma nova linguagem de programação para um projeto. Ele tem o desejo de aprender (ele quer), mas não tem os conhecimentos ou ferramentas necessárias (não sabe). Aqui, o investimento em treinamento e mentoria é o caminho óbvio.

As Limitações da Simplicidade

Embora útil, esse conceito simplificado tem suas limitações. O comportamento humano raramente é tão linear. Existem situações em que uma pessoa pode saber como fazer e até ter o desejo de realizar a tarefa, mas enfrenta barreiras externas, como falta de tempo, recursos inadequados, ou ambientes de trabalho disfuncionais.

Por exemplo, um colaborador pode não entregar um trabalho no prazo não porque não sabe ou não quer, mas porque está sobrecarregado com outras responsabilidades, ou porque processos internos estão impedindo a fluidez do trabalho. Esses são fatores que essa simplificação não captura bem.

Reflexão: O Que Realmente Motiva ou Desmotiva?

Como líderes e profissionais, devemos ir além desse conceito simples e explorar as nuances do comportamento humano. Quando enfrentamos um problema de desempenho, precisamos perguntar mais do que “eles sabem?” ou “eles querem?”. Precisamos considerar questões como:

– O ambiente de trabalho está proporcionando as condições necessárias para que as pessoas façam seu melhor trabalho?

– Existem barreiras emocionais ou psicológicas que precisam ser abordadas?

– A tarefa em questão está alinhada com os valores e objetivos pessoais do colaborador?

– As expectativas estão claras e realistas?

O Papel do Neurobusiness

Nesse ponto, o conceito de neurobusiness pode oferecer insights valiosos para lidar com essas questões. Neurobusiness aplica conhecimentos das neurociências ao mundo dos negócios, ajudando a entender melhor como as pessoas pensam, tomam decisões e se motivam.

Por exemplo, estudos em neurociência mostram que a motivação não é apenas uma questão de vontade, mas também de como o cérebro processa recompensas e desafios. Ao compreender melhor os circuitos neurais que regulam a motivação, líderes podem criar ambientes de trabalho que estimulam esses circuitos, incentivando comportamentos positivos e aumentando a produtividade.

Além disso, o neurobusiness também pode ajudar a comunicar de forma mais eficaz. Sabemos que a forma como as informações são apresentadas pode afetar a forma como são recebidas e compreendidas. Técnicas baseadas em neurociência podem ser usadas para aprimorar treinamentos, garantindo que as pessoas não apenas aprendam, mas também retenham e apliquem o conhecimento de maneira eficiente.

Por exemplo, ao usar técnicas de storytelling, que ativam várias áreas do cérebro simultaneamente, você pode tornar o aprendizado mais envolvente e memorável. Isso é crucial quando se trata de superar a barreira do “não sabe”.

Conclusão

A dualidade entre “não saber” e “não querer” é uma ferramenta útil para diagnósticos rápidos, mas deve ser vista como o ponto de partida, e não o ponto final. A complexidade humana exige que líderes, gestores e profissionais estejam sempre dispostos a aprofundar sua compreensão sobre o que realmente impulsiona ou impede as ações de suas equipes. A inclusão de conceitos do neurobusiness nessa reflexão permite um entendimento mais profundo e estratégico, proporcionando ferramentas para não apenas identificar as causas do problema, mas também para desenhar soluções que realmente façam a diferença.

Ao aplicar os princípios do neurobusiness, você pode criar condições que favorecem tanto o aprendizado quanto a motivação, ajustando as abordagens de treinamento, comunicação e gestão de pessoas de forma mais eficaz. Assim, você não apenas resolve problemas de desempenho, mas também potencializa o crescimento individual e coletivo dentro da organização.

Reflexão Final

Ao considerar tanto a perspectiva da falta de conhecimento quanto a da falta de motivação, e complementá-las com insights provenientes do neurobusiness, você se arma com uma visão mais completa e eficaz para liderar sua equipe. A pergunta que fica é: como você pode começar a aplicar esses princípios no seu dia a dia? Quais mudanças você pode implementar para que seus colaboradores não apenas saibam o que fazer, mas também queiram fazê-lo, motivados e engajados para atingir os melhores resultados?

Adotar essa postura reflexiva e científica não apenas promove um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, mas também posiciona você como um líder inovador que entende a fundo o comportamento humano. Afinal, compreender o que move as pessoas é essencial para qualquer liderança eficaz.

O que você acha? Já viveu situações como essas? Como resolveu? Deixa aqui nos comentários.

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